Detalhes do Projeto de Pesquisa

EFEITOS DE UM PROGRAMA DE TREINAMENTO FÍSICO SUPERVISIONADO EM INDIVÍDUOS PÓS-ACOMETIMENTO DA COVID-19

Dados do Projeto

701

EFEITOS DE UM PROGRAMA DE TREINAMENTO FÍSICO SUPERVISIONADO EM INDIVÍDUOS PÓS-ACOMETIMENTO DA COVID-19

2022/1 até 2027/2

ESCOLA DE CIÊNCIAS SOCIAIS E DA SAÚDE

GRUPO DE PESQUISA EM ENVELHECIMENTO ATIVO E CUIDADO INTEGRAL ÀS ENFERMIDADES CARDIOVASCULARES E PULMONARES

Teorias, Métodos e Processos de Cuidar em Saúde

KRISLAINY DE SOUSA CORREA

Resumo do Projeto

A COVID-19 é uma doença multissistêmica, emergente e se tornou pandêmica em março de 2020. Surgiu na China em dezembro de 2019, se alastrou por todo mundo com vítimas fatais e não fatais e trouxe um impacto muito grande na saúde mundial. Seus sintomas são variados e se manifestam desde sintomas leves a moderados e graves, com necessidade ou não de internações. Dentre os sintomas estão a perda do olfato e paladar; coriza; febre; infecção de garganta; dores articulares e musculares; cefaleia; dispneia e diminuição da oxigenação/ventilação pulmonar; alterações neurológicas, cognitivas, renais e cardiovasculares. A transmissão do novo coronavírus acontece por meio de gotículas, contato direto com pessoas contaminadas, aerossóis dispersos no ar após procedimentos específicos ou tosse e por meio de superfícies contaminadas. Objetivo: comparar a capacidade funcional, força muscular respiratória, dispneia em atividades de vida diária, fragilidade, funcionalidade, nível de ansiedade/estresse/depressão e qualidade de vida antes e após o treinamento físico supervisionado em pacientes acometidos pela COVID-19. Métodos: trata-se de um estudo quase experimental que será realizado no Ambulatório de fisioterapia do Hospital das Clinicas da Universidade Federal de Goiás (HC/UFG/EBSERH). Será uma amostra não probabilística, de conveniência, formada por pacientes encaminhados ao serviço de Fisioterapia ambulatorial do HC/UFG/EBSERH no período de setembro de 2021 a setembro de 2022 que tenham a disponibilidade para o programa de treinamento físico supervisionado de duas a três vezes por semana, por 18 sessões e após a alta ambulatorial, a disponibilidade para avaliações periódicas após 3 e 6 meses da alta do programa de treinamento físico supervisionado. A pesquisa será submetida ao Comitê de Ética e Pesquisa (CEP) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO) e terá o Hospital das Clínicas de Goiânia (HC/UFG/EBSERH) como instituição coparticipante. Serão incluídos indivíduos com diagnóstico de infecção por coronavírus baseado em exames (RT-PCR ou sangue); mínimo de 28 dias após o início de sintomas da infecção por coronavírus; pacientes que foram internados no HC/UFG/EBSERH e encaminhados ao Ambulatório de Fisioterapia do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC/UFG/EBSERH); ambos os sexos; maiores de 18 anos e indivíduos que assinarem o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) concordando com todos os aspectos da pesquisa. Serão excluídos da pesquisa: portadores de doença cardiovascular descompensada; indivíduos com história de Infarto Agudo do Miocárdio nos últimos três meses; portadores de doenças neurológicas, neuromusculares ou ortopédicas que impeçam o treinamento físico supervisionado e indivíduos com diagnóstico de câncer e/ou insuficiência Cardíaca, segundo a classificação funcional da New York Heart Association (NYHA) graus III e IV. O protocolo de execução da pesquisa consiste em avaliações por meio de questionários, escalas, testes funcionais e exame físico que acontecerão na admissão, após a realização das 18 sessões de atendimentos, com 3 e 6 meses. Os exercícios que serão executados durante os atendimentos objetivarão o fortalecimento muscular, o treino de equilíbrio, a flexibilidade, a coordenação motora e o treinamento cardiorrespiratório por meio dos exercícios aeróbicos, isocinéticos e isotônicos. Espera-se a partir desta pesquisa que haja um impacto positivo na capacidade de exercício, na dispneia aos esforços, no equilíbrio estático e dinâmico e na funcionalidade dos indivíduos inclusos no treinamento físico supervisionado pós COVID-19, de forma que tenham melhora físico-funcional e mental após a intervenção.

Objetivos

Objetivo geral

  • Comparar a capacidade funcional, força muscular respiratória, dispneia em atividades de vida diária, fragilidade, nível de ansiedade/estresse/depressão e qualidade de vida antes e após o treinamento físico supervisionado em pacientes acometidos pela COVID-19.


  • Objetivos específicos

  • Identificar o perfil clínico e socioeconômico dos pacientes submetidos ao treinamento físico pós-COVID-19;

  • Avaliar a capacidade funcional, força muscular respiratória, dispneia em atividades de vida diária, fragilidade, nível de ansiedade/estresse/depressão e qualidade de vida em pacientes encaminhados ao serviço de fisioterapia do Hospital das Clínicas de Goiânia/UFG/EBSERH diagnosticados pela COVID-19;

  • Analisar se há correlação entre capacidade funcional e força muscular respiratória; 

  • Verificar a evolução funcional, qualidade de vida e saúde mental na alta, três e seis meses após o programa de treinamento físico supervisionado.

Justificativa

A abordagem multiprofissional, incluindo a abordagem fisioterapêutica em pacientes acometidos pela COVID-19, deve se iniciar ainda na fase de isolamento social por meio do atendimento fisioterapêutico presencial ou de orientações remotas, continua nas unidades de pronto atendimento, nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) e enfermarias. Após a alta hospitalar, aqueles que apresentarem limitação de funcionalidade, devem iniciar a reabilitação ambulatorial, e quando cessada, podem contar com seguimento por meio de avaliações periódicas. Há evidências de que o atendimento precoce da fisioterapia nesse perfil de pacientes auxilia a retomada das atividades diárias o mais breve possível, com melhora da qualidade de vida em relação ao momento ativo da doença (BARKER DAVIES et al., 2020).

A abordagem fisioterapêutica após a alta hospitalar se faz necessária, pois, semelhante aos acometidos pelo antigo SARS-Cov em 2003 (CHAN et al., 2003), os indivíduos com COVID-19 podem apresentar alteração da oxigenação, comprometimento dos pulmões e comprometimento neuromuscular. Assim, por ser uma doença com comprometimento funcional importante, certamente seu tratamento requer um acompanhamento sistemático. Dessa forma, especialistas da American Toracic Society e European Respiratory Society recomendam fortemente o uso do treinamento físico supervisionado para os sobreviventes da COVID-19 (SPRUIT et al., 2020).

É importante que esses pacientes sejam acompanhados por um profissional fisioterapeuta e segundo Barker Davies et al. (2020) o treinamento físico supervisionado deve se iniciar ainda nos primeiros 30 dias após a fase aguda. Com o fim do programa supervisionado, composto primariamente pelo treinamento físico e respiratório, é viável o acompanhamento desse paciente por meio de avaliações periódicas, com o intuito de manter os ganhos funcionais obtidos durante os atendimentos presenciais.

Em função do estado pandêmico e a grande demanda de fisioterapeutas em ambientes de cuidados intensivos, um fator limitante ao treinamento físico após a COVID-19 é o baixo número de centros especializados no atendimento fisioterapêutico após uma doença grave (CORHAY et al., 2014; SPRUIT et al., 2020). Devido à escassez de evidências científicas específicas para a avaliação do paciente acometido pela COVID-19, recomenda-se que diretrizes de reabilitação pulmonar e cardíaca sejam utilizadas como documentos norteadores, além de considerar as particularidades dos pacientes (CACAU et al., 2020).

Sendo assim, faz-se necessário avaliar sistematicamente o paciente após a alta hospitalar e investigar os efeitos de um programa de treinamento físico supervisionado sobre a capacidade funcional, grau de dispneia durante as atividades de vida diária, fragilidade, qualidade de vida e saúde mental do paciente após a doença. As avaliações periódicas após esse programa de treinamento físico supervisionado é uma ótima opção para o direcionamento da continuidade dos cuidados após a alta ambulatorial, enfatizando as mudanças de hábitos sedentários para hábitos de vida saudáveis e a promoção de uma maior conscientização do indivíduo quanto ao automanejo das sequelas da doença.

Equipe do Projeto

Nome Função no projeto Função no Grupo Tipo de Vínculo Titulação
Nível de Curso
KRISLAINY DE SOUSA CORREA
Email: krislainycorrea@hotmail.com
Coordenador Líder Adjunto [professor] [doutor]
PRISCILA VALVERDE DE OLIVEIRA VITORINO
Email: pvalverde@pucgoias.edu.br
Pesquisador Líder [professor] [doutor]