Detalhes do Projeto de Pesquisa

RELAÇÕES ENTRE AUTO EFICÁCIA CRIATIVA, FOCO REGULATÓRIO, DESEMPENHO CRIATIVO E PROSPERIDADE: O PAPEL MOTIVADOR DO SUPERVISOR

Dados do Projeto

482

RELAÇÕES ENTRE AUTO EFICÁCIA CRIATIVA, FOCO REGULATÓRIO, DESEMPENHO CRIATIVO E PROSPERIDADE: O PAPEL MOTIVADOR DO SUPERVISOR

2015/2 até 2020/1

ESCOLA DE CIÊNCIAS SOCIAIS E DA SAÚDE

PSICOLOGIA, ORGANIZAÇÕES, TRABALHO E SAÚDE

Grupos e Saúde

HELENIDES MENDONÇA

Resumo do Projeto

Enquanto a auto eficácia criativa e o foco regulatório tem sido relacionados ao desempenho criativo dos trabalhadores, pouca pesquisa tem explorado se a orientação motivacional do supervisor em direção ao sucesso ou fracasso influencia a confiança do empregado em suas habilidades e desempenho criativo, assim como a percepção prosperidade no trabalho. Apesar de muitos estudos sobre criatividade estarem sendo conduzidos em culturas anglo-saxônicas, como os EUA e a Grã-Bretanha, poucos estudos têm sido realizados em economias emergentes, como o Brasil. Com base na teoria da auto eficácia e do foco regulatório este estudo pretende examinar em que medida fatores contextuais como o foco regulatório dos líderes influencia os níveis de criatividade dos trabalhadores assim como o seu bem-estar, operacionalizado pela percepção de prosperidade.. A pesquisa em amostra Brasileira busca abordar lacunas do conhecimento sobre esta temática e fazer importantes contribuições para a literatura sobre criatividade.

Objetivos

São objetivos deste estudo:

1) Investigar a criatividade do empregado em um novo contexto nacional e testar se os conceitos e teorias aplicados em países que possuem economias desenvolvidas podem ser utilizados no ambiente de negócios brasileiro;

2) Testar, empiricamente, a noção de que a orientação motivacional dos líderes podem ter implicações importantes para a motivação dos funcionários, suas atitudes e comportamentos;

3) Identificar as condições que podem moderar a relação entre autoeficácia criativa, criatividade e prosperidade.

Três aspectos foram considerados na escolha da organização participante do estudo. Primeiramente, este estudo objetiva examinar a criatividade em um ambiente onde os requisitos para a criatividade não são tão evidentes. Este procedimento é diferente dos estudos sobre criatividade com foco em população que trabalha equipes de pesquisadores, de Foco regulatório dos líderes AEC dos empregados Desempenho Criativo Foco regulatório dos empregados Prosperidade na vida e o trabalho 9 tecnologia ou de desenvolvimento, onde a criatividade é esperada como resultado (e.g. Amabile et al., 1996; Scott & Bruce, 1994; Tierney et al., 1999). Segundo, considerou-se a importância de ter participantes de diferentes grupos funcionais, apesar de serem todos de uma mesma empresa. Com este procedimento, uma amostra representativa de ambientes de trabalho em geral pode ser encontrada. Por fim, como vários outros estudos sobre criatividade, a classificação do supervisor é usada para medir a criatividade do empregado. Faz-se necessário, portanto, identificar os superiores e respectivos subordinados, de modo que o supervisor possa observar o desempenho criativo dos subordinados. A empresa do ramo alimentício, localizada na cidade de Anápolis, Estado de Goiás, Brazil, satisfez esses requisitos e foi convidada a participar do estudo. Trata-se de uma empresa especializada no desenvolvimento de alimentos saudáveis. tema referida empresa tem como pilares para o trabalho de suas equipes a saúde e o bem-estar de seus clientes e se apresenta “comprometida com a elaboração de produtos de alta qualidade, cuidadosamente desenvolvidos, para contribuir com a promoção de uma nutrição cada vez mais completa e equilibrada”. A empresa tem como missão: Inspirar pessoas a ter qualidade de vida, disponibilizando alimentos saudáveis com muito sabor. O princípios que regem o trabalho são: Pessoas; Liderança pelo Exemplo; Meritocracia; Postura de Dono do Negócio; Foco no Cliente; Qualidade de Produto; Ética nos Relacionamentos; Inovação; Foco no Resultado.

Justificativa

Criatividade e bem-estar Criatividade é definida como uma geração nova e útil de ideias concernentes a produtos, procedimentos e processos no trabalho (Amabile, 1988; Oldham & Cummings, 1996; Shalley et al., 2004). Esta linha de pesquisa tem se baseado na noção de que o contexto no qual o trabalho de alguém (e.g. comportamento do supervisor, atributos do trabalho) afetam o desempenho criativo e impacta no bem-estar psicológico (Bujacz et. al, 2014). O objetivo da pesquisa foi identificar os fatores contextuais que estimulam ou inibem a criatividade individual e o bem-estar psicológico. Os pressupostos fundamentais da psicologia social da criatividade incluem: (1) a criatividade existe na vida cotidiana, bem como nos domínios da ciência, da literatura e das artes. Portanto, os indivíduos com habilidades cognitivas normais podem, em certa medida produzir um trabalho criativo; (2) Há graus de criatividade dentro de um determinado trabalho individual; e (3) É possível aumentar a criatividade, até certo ponto (Amabile, 1983). Com base nessas premissas e observações, Amabile (1983, 1996) propôs que a criatividade individual é, em grande medida, sujeita às influências de fatores do ambiente social. Ela sugeriu ainda que os fatores socioambientais de apoio à autonomia, à competência ou ao envolvimento com a tarefa são propícios à criatividade. Em contraste, fatores socio ambientais que denotam controle e restrições são prejudiciais para a criatividade individual (Amabile, 1996). Nessa mesma linha de raciocínio, o modelo de demandas e recursos do trabalho (Bakker & Demerouti, 2007) especificam que demandas organizacionais (como complexidade do trabalho), recursos do trabalho (como autonomia e suporte dos supervisores) e características individuais (como pensamento criativo e coping) levam ao bem-estar. Em linha com a psicologia social da teoria da criatividade (Amabile, 1983; 1996), um grande número de estudos sobre a criatividade investigaram os fatores contextuais que facilitam a criatividade dos empregados (Shalley et al 2004). Entre esses fatores contextuais, a liderança tem atraído muita atenção da pesquisa. Uma série de estilos de liderança foram analisados, tais como liderança transformacional (Shin & Zhou, 2003; Gong et al 2009). A investigação ainda deve analisar se o foco de regulamentação dos líderes no trabalho pode ter um impacto sobre a criatividade dos funcionários. 6 Auto eficácia criativa Em resposta à noção de que o julgamento das capacidades ocorre um domínios específicos da vida das pessoas (Bandura, 1997), Tierney e Farmer (2002) desenvolveram o construto de auto eficácia criativa para aplicabilidade em contextos que envolvem a criatividade. A auto eficácia criativa refere-se à “crença de que alguém possui habilidade para produzir resultados criativos” (Tierney & Farmer, 2002, p. 1138). Enquanto alguns pesquisadores identificam fatores individuais tais como o papel da identidade criativa (Tierney & Farmer, 2011), orientação de aprendizagem (Gong et al, 2009), eficácia do trabalho, complexidade do trabalho identificados como antecedentes de auto-eficácia criativa, outros pesquisadores têm investigado o papel do comportamento do líder em influenciar a criatividade e a auto-eficácia criativa (Gong et al 2009;. Tierney & Fazendeiro 2002; 2004; 2011). Esses estudos têm relatado as expectativas de criatividade dos supervisores como preditores do desenvolvimento da auto eficácia criativa (AEC) (Carmeli & Schaubroeck, 2007; Tierney & Fazendeiro , 2004; 2011). Teoria do foco regulatório Higgins (1998) propôs que a resposta motivacional e o estilo de processamento motivacional estimulados pelo foco na promoção podem aumentar a criatividade. Ao ser eliciado pelo foco preventivo, por outro lado, podem minar o resultado. Especificamente, as pessoas com foco na promoção tendem a perceber que o ambiente é benigno e utilizam estratégias de aproximação (em oposição à evitação), como meio estratégico na busca de seus objetivos. Em comparação com aqueles com foco na prevenção, eles estão mais dispostos a adotar abordagens de risco e exploratórias para "assegurar sucessos e evitar erros de omissão" (Crowe & Higgins, 1997, p. 117). Assim, as pessoas com foco em promoção são mais susceptíveis de gerar novas idéias e desenvolver novas formas de fazer as coisas. Em contraste, as pessoas centradas na prevenção veem o ambiente como ameaça e usam a evitação como estratégia na busca de seus objectivos de prevenção. Em comparação com as pessoas com foco em promoção, eles são mais propensos a aplicar o estilo de risco-aversivo e de ação conservadora para se garantir contra rejeições e erros dos grupos de trabalho. (Crowe & Higgins, 1997). As pessoas com foco na promoção são mais facilmente propensas a estabelecer ideias e formas de fazer as coisas. Pesquisas anteriores relataram que o foco na promoção foi 7 relacionado a correr risco e ao estilo exploratório de processar os eventos da vida, sendo que o foco na prevenção arriscado e exploratório foi relacionado ao estilo de processamento conservador aversivo de risco e (Friedman & Förster (2001). Mais recentemente, os estudiosos investigaram se a orientação motivacional dos líderes pode ter influência sobre a criatividade dos empregados (Brockner & Higgins, 2001; Wu, McMullen, Neubert & Yi, 2008). Kark & van Dijk (2007), especificamente, propuseram que os líderes com motivação para o sucesso em detrimento da perda poderão eventualmente enganar-se ao motivar seus seguidores. Argumenta-se que os supervisores com foco regulatório na promoção, são mais susceptíveis a promover a confiança e aprendizado ao correr riscos e desenvolver comportamentos que levam a altos níveis de auto eficácia criativa. Em contraste, os supervisores com foco regulatório na prevenção dirigem a atenção dos funcionários para previnir e emitir comportamentos de aversão ao risco, levando ao baixo nível de auto eficácia criativa. Assim é que propomos que os líderes com foco regulatório influenciam a auto eficácia criativa dos empregados que, por sua vez, leva a criatividade. Em outras palavras, auto eficácia criativa medeia o impacto da liderança foco regulatório sobre a criatividade dos funcionários. Além disso, apesar de muitas pesquisas examinarem a relação entre auto eficácia criativa e criatividade, poucos estudos tem explorado as condições periféricas que podem atenuar esta relação. De acordo com a teoria da ação racional, o controle comportamental e a capacidade percebida de promulgar determinado comportamento é apenas um dos antecedentes para o comportamento em questão. Outros fatores, como a atitude em relação ao comportamento podem interagir com o controle comportamental para influenciar o comportamento. Neste sentido, nós defendemos que os empregados com foco na promoção são mais propensos a ter uma atitude positiva em relação à criatividade do que aqueles com o foco na prevenção. Por essa razão, propusemos que o foco regulatório dos empregados pode interagir com a auto eficácia criativa para influencias a criatividade, de tal modo que a relação entre auto eficácia criativa e criatividade será mais forte para os indivíduos com baixo foco regulatório na prevenção ou alto foco regulatório na promoção. Da mesma forma, esta relação é oposta para aqueles com alto foco na prevenção ou baixo foco na promoção. Consequentemente, com inspiração no modelo interacionista de criatividade (Woodman, Sawyer & Griffin, 1993) e combinando as teorias de auto-eficácia (Bandura, 8 1986; 1997) e de auto-regulação (Higgins, 1997), propomos um quadro para explicar como o foco regulatório dos líderes e seguidores pode influenciar a relação entre AEC e criatividade .

Equipe do Projeto

Nome Função no projeto Função no Grupo Tipo de Vínculo Titulação
Nível de Curso
HELENIDES MENDONÇA
Email: helenides@pucgoias.edu.br
Coordenador Líder Adjunto [professor] [doutor]