Detalhes do Projeto de Pesquisa

ESCAVAÇÃO DO SÍTIO ARQUEOLÓGICO GO-JA-02 SERRANÓPOLIS, GOIÁS

Dados do Projeto

188

ESCAVAÇÃO DO SÍTIO ARQUEOLÓGICO GO-JA-02 SERRANÓPOLIS, GOIÁS

2017/2 até 2023/2

ESCOLA DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES E HUMANIDADES

ESTUDOS DO QUATERNÁRIO

Geoarqueologia

JULIO CEZAR RUBIN DE RUBIN

Resumo do Projeto

O presente projeto está inserido na retomada das pesquisas arqueológicas na região de Serranópolis pelo Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia (IGPA) da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). O objetivo geral do projeto é retomar a escavação do sítio GO-Ja-02 visto que na camada 9 a data obtida foi de 10.120+/-80 A.P. (SI-3108) (SCHMITZ et al, 1989, 2004) com indicação de que a escavação não alcançou o piso do abrigo. A data mencionada é mais recente que a mais antiga obtida para o GO-JA-01, distante 500 metros, que é de 10.580+/-115 A. P. Este procedimento poderá adentrar no final do Pleistoceno. Espera-se que os resultados da pesquisa contribuam com as discussões científicas relacionadas com os processos de ocupação humana no Planalto Central Brasileiro e consequentemente no Brasil e na América do Sul, abordando temas como formação do registro arqueológico, da cultura material, da dieta alimentar com base nas análises da fauna, da flora, dos fitólitos e dos almidones, da caracterização dos biótipos humanos e padrões funerários associados a possíveis enterramentos (caso venham a ser encontrados), da paisagem atual e pretérita.

Objetivos

 Geral


Com a escavação do sítio GO-JA-02 pretende-se ampliar o conhecimento científico referente ao povoamento humano do Planalto Central Brasileiro a partir do início do Holoceno, podendo adentrar no final do Pleistoceno, uma vez que a pesquisa anterior não alcançou a base da unidade de escavação.


 Específicos


  • Correlacionar as novas escavações com os resultados das pesquisas desenvolvidas nas décadas de 1970 e 1980;

  • Correlacionar com os resultados da escavação do sítio GO-JA-01;

  • Escavar os estratos inferiores às camadas arqueológicas da fase Paranaíba com cronologia referente ao início do Holoceno;

  • Maior controle das decapagens devido à complexidade estratigráfica identificada nas escavações anteriores, como a transição entre as fases Paranaíba e Serranópolis, cronologicamente situada no Holoceno Médio.

  • Por meio da Geoarqueologia, estabelecer o processo de formação do registro arqueológico;

  • Caracterização do contexto geoarqueológico do sítio;

  • Caracterizar os aspectos paleoambientais e ambientais relacionados às diferentes ocupações do sítio, ampliando e diversificando os modelos regionais;

  • Colaborar com estudos de bioarqueologia em nível regional e nacional para a caracterização dos biótipos humanos presentes no Planalto Central Brasileiro.

  • Ampliar os dados acerca das dietas alimentares, por meio do reconhecimento de fitólitos e almidones e em vestígios cerâmicos e líticos;

  • Identificar os esquemas técnicos de produção e funcionamento dos instrumentos líticos lascados e polidos e compará-los às sequencias culturais presentes no sítio, identificando as estruturas técnicas e suas modificações ocorridas ao longo do tempo;

  • Identificar os aspectos tecnológicos de produção e de utilização dos vasilhames cerâmicos;

  • Ampliar as informações acerca da utilização dos recursos naturais, movimentação dos grupos e possíveis sistemas de assentamentos;

  • Buscar relações culturais e espaciais entre os sítios da região de Serranópolis e outros da região Central do Brasil;

  • Fomentar a pesquisa arqueológica no sudoeste de Goiás;

  • Produzir novos dados referente a ocupação humana no Planalto Central Brasileiro e inseri-los no contexto das discussões referentes ao tema na América do Sul.


Justificativa

A região de Serranópolis possui uma significância científica para a arqueologia brasileira, resultado das pesquisas pioneiras desenvolvidas desde a década de 1970, destacando-se pelos mais de 40 sítios cadastrados em abrigos rochosos e a céu-aberto. Schmitz et al (1989,2004) estabeleceram seis grupos de sítios arqueológicos para a região de Serranópolis, totalizando 27 sítios. O sítio GO-JA-02 está inserido no Grupo A, juntamente com outros três sítios, entre eles o GO-JA-01.

O sítio GO-JA-02, distante cerca de 500m do GO-JA-01 e localizados no mesmo paredão de arenito, está divido em duas partes, sendo a parte A com 43m de boca e 13m de profundidade, onde foram realizadas coletas superficiais e um corte de 2x2m. Na parte B, com 29 m de profundidade e 23 m de boca também foram realizadas coletas superficiais e um corte. O corte 1 apresentou nove camadas estratigráficas e uma profundidade de 2,60m, sendo que os níveis de 1 a 5, camada 1, está correlacionada com a fase Jataí; dos níveis 6 a 20, camadas 2 a 7, estão correlacionados a fase Serranópolis. Os níveis de 21 a 29, camadas 8 e 9, correspondem a fase Paranaíba (Tradição Itaparica). Na camada 7 foi obtida uma datação de 9.195 +/- 75 A.P. (SI3107) e na camada 9 uma data de 10.120+/-80 A.P. (SI-3108) (SCHMITZ et al, 1989, 2004, SCHMITZ, 1980).

A respeito desse sítio Schmitz et al (2004: 109) mencionam queA ocupação deveria ser paralela e complementar à do GO-JA-01, embora a data inicial seja alguns séculos posterior. Para um pequeno grupo, o sítio poderia ter vantagem sobre o grande por causa do laguinho de área límpida e permanente. Com relação à forma de ocupação e ao tipo de material não se perceberam diferenças com relação aquele.


Os relatórios da escavação de Schmitz e equipe indicam a possibilidade de avançar nas escavações, o que, aliado ao grau de preservação, registro estratigráfico e cultura material de distintos momentos de ocupação, destacando-se a indústria lítica, conferem ao sítio uma significância científica para a investigação da pré-história brasileira.

O sítio GO-JA-01 também apresenta a significância científica mencionada, sendo que para este sítio foram obtidas uma série de datações entre 925+/- 60 A.P. (SI-3690) e 10.580+/-115 A. P.

A variação dos conjuntos líticos, observada ao longo da série estratigráfica, serviu de base para a proposição de uma sequencia cultural coerente que serve de referência para o Planalto Central Brasileiro, caracterizada pelas fases Paranaíba (Tradição Itaparica), Serranópolis (Tradição Serranópolis) e Jataí (Tradição Una). Tais evidências fizeram dessa região uma das mais conhecidas do Brasil, com relação especial ao período pré-cerâmico (VIANA, 2016)

O estado de Goiás ocupa uma posição geográfica privilegiada para a pesquisa arqueológica, entre as bacias hidrográficas do Amazonas, Paraná/Prata e do São Francisco. Segundo alguns autores a região poderia ter sido um corredor de deslocamento ou de convergência de grupos pré-coloniais.

A ocupação da área de Serranópolis, bem definida para o início do Holoceno, se ajusta com outras áreas do Brasil Central, de acordo com resultados das pesquisas desenvolvidas nos sítios do alto rio Sucuriu/MS, mais precisamente sítios AS4 e AS12 (KASHIMOTO; MARTIN, 2005), do município de Poxoréo/MT, sítio MT-SL-31 (WÜST, 1990), do município de Uruaçu/GO, sítio GO-NI-49 (BARBOSA et al, 1976/1977), de Jangada/MT, sítio Santa Elina (VILHENA-VIALOU; VIALOU, 1989), sítios de Lajeado/TO (BUENO, 2007). Para o mesmo período também se destacam os resultados das investigações desenvolvidas em Minas Gerais, em Januária/MG (PROUS et al, 1984), em Buritizeiro (RODET et al, 2007); em Jequitaí (BASSI; RODET, 2011) e em Diamantina (ISNARDIS, 2009). No Planalto Central Brasileiro se destacam também os sítios Santa Elina (VILHENA-VIALOU; VIALOU, 1994) e o sítio Gruta do Sol (MILLER, 1983), com cronologia do final do Pleistoceno.

Schmitz et al (1989; 2004), Fogaça e Lourdeau (2008) e Lourdeau (2010) estudaram a cultura material, lítico, dos sítios de Serranópolis, destacando-se o sítio GO-JA-01, onde os estratos mais antigos, do início do Holoceno, apresentam materiais líticos pertencentes a fase Paranaíba datada de 11.500 a 8.500 BP. caracterizada por algumas pontas bifaciais e, por instrumentos unifaciais denominados de “lesmas”, marcadores crono-culturais da Tradição Itaparica, uma vez que ocorre em todos os sítios da fase Paranaíba. 

De acordo com Fogaça e Lourdeau (2008) e Lourdeau (2010) os instrumentos unifaciais (lesmas) são portadoras de uma estrutura técnica comum, representada por façonagem unifacial, realizada a partir de uma superfície plana, confeccionados sobre lascas grandes cujo volume é organizado com retiradas unifaciais na periferia inteira da peça, sempre realizadas à custa da face superior da lasca-suporte.

Os sítios da Tradição Itaparica estão correlacionados cronologicamente ao final do Pleistoceno e início do Holoceno, tendo sido definida no final da década de 1960 por Valentin Calderon no sítio Gruta do Padre, no estado de Pernambuco, com base nos instrumentos unifaciais (“lesmas”). Foram identificados sítios da Tradição Itaparica nos estados de Tocantins, de Goiás, de Mato Grosso, de Mato Grosso do Sul, de Minas Gerais, de Pernambuco e do Piauí, abrangendo uma área de aproximadamente 2.000.000 km2.

Schmitz (1980) e Barbosa (1981/82) definiram a fase Serranópolis para uma sequência cultural entre 8.500 e 6.500 AP (Holoceno Médio), caracterizada por uma indústria lítica com instrumentos pouco elaborados e produzidos por outros esquemas técnicos que substituem os instrumentos líticos bem elaborados do período anterior. Como matéria prima, além de quartzo e quartzito, materiais conchíferos e os ósseos passam a ser utilizados.

Schmitz et al (1989) e Barbosa (1985) mencionam que nas sequências estratigráficas da fase de Serranópolis do sítio GO-JA-01 ocorre um aumento nas camadas de cinzas das fogueiras dos abrigos. Os autores interpretaram como indicação de maior tempo de ocupação ou maior número de pessoas. Identificaram também vários sepultamentos, o que não ocorreu na fase anterior.

Até o momento as questões relacionadas com o paleoambiente e os processos de adaptação estão fundamentados no modelo apresentado de Schmitz (1984; 1987b), atualmente considerado limitado (entre outros, KIPNIS; SCHEEL-YBERT, 2005), uma vez que à época de sua proposição os pesquisadores não dispunham de dados paleoambientais em escala regional. Dispunham como base, o modelo tradicional de Ab´Saber (1977).

O modelo de Schmitz elaborado para os sítios de Serranópolis e difundido para todo o Planalto Central Brasileiro, está centrado em aspectos bióticos e abióticos que favoreceram a ocupação na região. De acordo com Schmitz (1984, 1987b) e Barbosa (1992) a estabilidade climática com dois ciclos definidos, facilitaria às populações uma economia simples e a adoção de um planejamento homogêneo. Abrigos naturais permitia a esses grupos humanos se estabelecerem em determinadas épocas do ano. Os autores também ressaltam que a ocorrência de blocos de quartzitos e de seixos de quartzo, sílex e quartzitos propiciaria a matéria prima necessária para a confecção de instrumentos.

Sobre os elementos bióticos são destacadas, no modelo de Schmitz e Barbosa, as diferentes fitofisionomias do bioma Cerrado e a grande variedade de frutos comestíveis e de fauna relacionada à província zoogeográfica de vegetação aberta. Neste contexto, os caçadores coletores do Holoceno Inicial tinham uma dieta alimentar baseada na caça de animais maiores, como anta, veado, porco do mato, etc., suplementada por animais menores, como o tatu, tartarugas e roedores. Esses animais, altamente diversificados no Cerrado, foram amplamente consumidos neste período, conforme atestado pelos vestígios faunísticos encontrados nos sítios. Assim, diferente dos caçadores coletores norte-americanos, especializados na megafauna, os grupos do Planalto Central brasileiro tiveram no ambiente de Cerrado uma grande diversidade de recursos naturais, o que teria levado a uma variedade de métodos de abastecimento (BARBOSA, 1992).

No Holoceno Médio, com o aumento da umidade no Ótimo Climático, teria ocorrido um aumento na exploração de pequenos animais, incluindo muitos moluscos de água doce e terrestre, assim como o início do cultivo de plantas e sua introdução à dieta alimentar.

A partir de 6.500 AP as ocupações pré-históricas nas regiões anteriormente definidas para a fase Serranópolis mudaram completamente. Schmitz (1999) apresenta uma hipótese para esta mudança na sequência cultural, tendo por base os aspectos ambientais, ou seja, um aumento acentuado da temperatura e da umidade, que tornariam os abrigos demasiadamente úmidos e quentes ou pouco ventilados, ou provocaria uma mudança dos recursos nas proximidades dos mesmos.

As pesquisas de Schmitz e equipe identificaram que na sequência de um hiato de tempo significativo, novos complexos culturais se instalaram em áreas de Cerrado do Planalto Central Brasileiro. Para os autores este momento indica que o horizonte cultural da fase Serranópolis foi substituído lentamente por novas culturas diversas, que se desenvolveram segundo diferentes tradições locais, possuidoras da tecnologia cerâmica.

Nos sítios de Serranópolis esta mudança ocorreu somente por volta de 1.500 AP e além da tecnologia da cerâmica, os conjuntos líticos lascados passaram a apresentar outros esquemas técnicos de produção de suportes (sistema de debitagem) e de confecção de instrumentos, como exemplo, destacamos a presença dos machados confeccionados a partir de lascamentos bifaciais e a introdução da técnica de polimento para confecção de instrumentos diversos. Estes materiais identificados nas camadas superiores dos abrigos foram classificados em Fase Jataí (WÜST; SCHMITZ, 1975), com datação que varia de 1.500 a 900 AP (AD 950 e 1.000) e está vinculada à Tradição Una. Segundo Schmitz et al (2015), há claras descontinuidades entre as camadas que registram a ocupação das culturas essencialmente líticas (fase Serranópolis e Paranaíba) e os grupos ceramistas, indicando um hiato bem marcado entre os dois tipos de ocupação.

A datação mais antiga para a Tradição Una, cuja datação mais antiga é em torno de 2 mil anos antes do presente. No Estado de Goiás, além de Serranópolis, ela está presente em abrigos de Caiapônia, com data aproximada de 1 mil anos antes do presente; na região leste do Estado foi denominada de fase Palma, com datas entre 720 a 1.210 AP (SIMONSEN et al, 1983/84), na região centro-norte de Goiás, de fase Pindorama, com datas a partir de 500 AP (BARBOSA, 1981/1982). Sítios da Tradição Una também ocorre no sudoeste da Bahia, com data ao redor de 1.000 AP (BARBOSA, 1985); material sem fase definida no norte mineiro (PROUS et al, 1984); no noroeste de Minas Gerais, denominada de fase Unaí, com datas de quase 2.000 AP (1992). No Mato Grosso, por volta de 2.000 AP (VILHENA-VIALOU; VIALOU, 1989) e 1.000 AP (WÜST, 1990). Também está presente em sítios localizados em estados litorâneos.

Os traços marcantes desta Tradição foram identificados a partir da cultura material cerâmica que apresenta similaridades morfológicas e tecnológicas. Os vasilhames são predominantemente pequenos, tecnologicamente bem feitos, as paredes são finais, compactas, de textura boa e a coloração predominantemente é o castanho-escuro, negro ou chocolate. Nos abrigos de Serranópolis a cultura material lítica está bem representada por instrumentos polidos e lascados, dentre eles os machados lascados. Há também pontas em madeira com armação óssea; vestígios em fibra e trançados simples. Registra-se ainda uma quantidade expressiva de vegetais diversos indícios de cultivo incipiente de milho, amendoim, leguminosas e, provavelmente, algodão e cucurbitáceas.  Nos sítios desta região também foram identificadas práticas funerárias diversas, sendo que os enterramentos humanos se localizavam ao lado das fogueiras. Há hipótese dos petroglifos presentes nos sítios de Serranópolis estarem relacionados a este momento mais recente (SCHMITZ et al, 2015; SCHMITZ et al, 2004; SCHMITZ et al, 1989; SCHMTIZ, 2005).

É inegável a contribuição das informações científicas de Serranópolis para o crescimento da arqueologia regional e sul-americana. Entretanto, após cerca de 25 anos dos primeiros resultados e considerando o crescimento das pesquisas arqueológicas no país, o aumento dos estudos paleoambientais na região onde se encontra os sítios e o aprimoramento das metodologias e das técnicas de campo e de laboratório, entendemos que os sítios desta região, em especial o GO-JA-02, além do GO-JA-01 (VIANA, 2016), tem potencial para colaborar ainda mais com as demandas científicas, presentes nos debates contemporâneos.

Dentre as problemáticas elencadas atualmente na retomada das pesquisas destaca-se a questão das modalidades de povoamentos ocorridos no Planalto Central Brasileiro. O povoamento não é uma modalidade única e fechada, resulta de um processo sistemático ao longo dos tempos. Neste sentido é apropriado falar em “povoamentos”, para o que é de fundamental importância a tecnogênese (BOËDA, 2013; LEMONNIER, 1992; INGOLD, 2008) das fases Paranaíba e Serranópolis.

Questões importantes para a pesquisa:

- Investigação dos conjuntos líticos quanto à gestão da matéria prima, enfatizando os elementos morfológicos e volumétricos relacionados com as suas escolhas. 

- Identificar e entender os distintos esquemas técnicos que compõem os sistemas de debitagem, buscando inferências seguras acerca dos tipos de suportes procurados para os futuros instrumentos, não somente aos planos convexos unifaciais (lesmas) ou as pontas bifaciais, mas todo o instrumental contextualizado neste período;

Em relação ao “desaparecimento” do instrumental lítico característico da Tradição Itaparica, mencionado anteriormente, destaca-se duas hipóteses propostas Schmitz et al (1989, 2004) e sintetizadas por Lourdeau (2006:690):

  1. - “Uma “aparição”, sem signo anunciador, de uma indústria elaborada, com instrumentos unifaciais típicos, distinta das que são encontradas em outras regiões do Brasil;

  2. Um desaparecimento rápido e generalizado dessa indústria, substituída por indústrias que parecem menos elaboradas.

Schmitz (1999) aborda novamente este “desaparecimento” ou ruptura e “surgimento” dos conjuntos líticos de Serranópolis por meio de duas hipóteses: 1- se fundamenta numa explicação ambiental, associando a mudança cultural a uma modificação climática. Essa hipótese tem sido questionada, pois, como já mencionado, os dados paleoambientais produzidos após o modelo de Ab´Saber (1977), têm demonstrado uma importante variabilidade climática nesta época no Planalto Central Brasileiro; 2 -  se fundamenta nos resultados da antropologia física (NEVES et al., 2004; PUCCIARELLI, 2004). As culturas líticas Itaparica e Serranópolis estariam representadas por populações de origens distintas, considerando que os restos esqueletais humanos mais antigos na América do Sul (anterior a 8 mil anos) apresentam características físicas distintas dos indígenas atuais, sugerindo que os primeiros povoamentos teriam ocorrido por uma população de origem australo-melanésia (NEVES; HUBBE, 2008).

Para a ampliação das questões relacionadas com estas hipóteses, é fundamental a localização de enterramentos funerários vinculados à Tradição Itaparica, assim como o entendimento preciso acerca da formação do sítio a partir de uma perspectiva geoarqueológica, para definição mais detalhada do registro arqueológico e contextualização dos vestígios arqueológicos.

Não menos importante é busca, caracterização e interpretação de estratos arqueológicos anteriores à fase Paranaíba. Neste sentido, o sítio GO-JA-02 se apresenta oportuno, nas áreas A e B. 

Para a abordagem das problemáticas acima apresentadas é fundamental que a pesquisa seja desenvolvida concomitantemente com novas investigações dos modelos paleoambientais regionais. Para a região de Serranópolis, pesquisas em desenvolvimento, por membros do presente projeto, indicam variações na umidade e na temperatura com evidências de fases de clima mais frio e úmido do que o atual e, consequentemente, mudanças na cobertura vegetal no decorrer do Quaternário Tardio (Maira Barberi, comunicação pessoal)

A retomada das pesquisas na região de Serranópolis é de vital importância para a Arqueologia Brasileira pois, possibilitará identificar as variabilidades regionais e, deste modo, permitirá que as investigações relacionais entre ambientes, sociedades humanas e culturas materiais tenham cada vez mais coerência e sentido.


Equipe do Projeto

Nome Função no projeto Função no Grupo Tipo de Vínculo Titulação
Nível de Curso
BRENO OLIVEIRA ARAUJO
Email: breno.araujo.tri@hotmail.com
Pesquisador Estudante [] []
DANIELE OLIVEIRA DA SILVA LIMA
Email: danieleoliveiraznec@gmail.com
Pesquisador Estudante [] []
DANYELLE MORAIS LEITE
Email: danyellemorais.leite@outlook.com
Pesquisador Estudante [] []
ELIEZER BOTELHO DA SILVA
Email: eliezerarqueologo2018@gmail.com
Pesquisador Estudante [] []
FERNANDA LOPES BALIEIRO
Email: feelpz22@gmail.com
Pesquisador Estudante [] []
FRANK WILLIAN APARECIDO DOS SANTOS
Email: frankw78_@hotmail.com
Pesquisador Estudante [] []
JULIO CEZAR RUBIN DE RUBIN
Email: rubin@pucgoias.edu.br
Coordenador Líder [professor] [doutor]
LAURA SILVEIRA
Email: lauraasilveiraa@gmail.com
Pesquisador Estudante [] []
MAIRA BARBERI
Email: barberimaira@gmail.com
Pesquisador Líder Adjunto [professor] [doutor]
MARIANA GARCIA DE SOUZA
Email: marigarcia2806@gmail.com
Pesquisador Estudante [] []
MATHEUS GODOY PIRES
Email: piresmg@gmail.com
Pesquisador Pesquisador [professor] [doutor]
PEDRO MATEUS OLIVEIRA ABRANTES PROCEDINO
Email: pedroprocedino@hotmail.com
Pesquisador Estudante [] []
ROSICLÉR THEODORO DA SILVA
Email: silva.rosicler@gmail.com
Pesquisador Pesquisador [professor] [doutor]
SIBELI APARECIDA VIANA
Email: sibeli@pucgoias.edu.br
Pesquisador Pesquisador [professor] [doutor]
TATIANA PATRICIA CANDIDO CARVALHO
Email: carvalho.tatianagyn@gmail.com
Pesquisador Estudante [] []