Detalhes do Projeto de Pesquisa

RELAÇÃO ENTRE PLACAS ATEROSCLERÓTICAS E ESTENOSE CAROTÍDEA ASSINTOMÁTICA

Dados do Projeto

1067

RELAÇÃO ENTRE PLACAS ATEROSCLERÓTICAS E ESTENOSE CAROTÍDEA ASSINTOMÁTICA

2025/2 até 2027/2

ESCOLA DE CIÊNCIAS MÉDICAS E DA VIDA

GRUPO DE FISIOLOGIA APLICADA

Sociedade, Ambiente e Saúde

GRAZIELA TORRES BLANCH

Resumo do Projeto

A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica que acomete artérias de médio e grande calibre, representando um dos principais fatores para eventos cardiovasculares graves, como infarto do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC) e doença arterial periférica. Seu desenvolvimento inicia-se com a disfunção endotelial, induzida por fatores como hipertensão, diabetes mellitus, dislipidemia e tabagismo. Esse processo leva ao acúmulo de lipoproteínas de baixa densidade (LDL) na parede arterial, gerando estresse oxidativo e desencadeando uma inflamação crônica, culminando na formação de placas ateroscleróticas. Essas placas podem se tornar instáveis, aumentando o risco de ruptura e trombose, o que está associado a complicações isquêmicas fatais. A estenose carotídea, definida como o estreitamento do lúmen das artérias carótidas devido a aterosclerose, é um marcador importante de risco cardiovascular. Estudos indicam que a estenose carotídea assintomática reflete a carga aterosclerótica em outros territórios vasculares e está associada a eventos como IAM e AVC. O ultrassom Doppler destaca-se como uma ferramenta não invasiva e acessível para avaliação da estenose carotídea, permitindo mensurar o grau de estenose e identificar características das placas, como instabilidade, que aumentam o risco de eventos embólicos. Este estudo objetiva realizar uma revisão narrativa sobre a relação entre estenose carotídea assintomática, características das placas ateroscleróticas e eventos cardiovasculares, como IAM, AVC e mortalidade cardiovascular. Busca-se analisar a prevalência da estenose carotídea em populações de alto risco, a associação entre a gravidade da estenose e características das placas com desfechos clínicos, e o impacto prognóstico do diagnóstico precoce por ultrassom Doppler. A metodologia inclui uma busca sistemática em bases de dados como PubMed, Scopus, e SciELO, utilizando termos relacionados à estenose carotídea, aterosclerose e desfechos cardiovasculares. Serão incluídos estudos publicados entre 2003 e 2023, abordando estenose carotídea assintomática em populações adultas de alto risco. Estudos que utilizem ultrassom Doppler para avaliação de estenose carotídea e suas características serão priorizados. A seleção seguirá o modelo PRISMA, garantindo rigor metodológico e transparência na inclusão e exclusão de estudos. Os dados extraídos incluirão características da população estudada, grau de estenose carotídea, parâmetros ultrassonográficos e desfechos cardiovasculares. Espera-se identificar a prevalência significativa de estenose carotídea assintomática em populações com doença vascular estabelecida, predominando em homens acima dos 60 anos e em pacientes com múltiplos fatores de risco cardiovasculares. A revisão deverá destacar o papel do ultrassom Doppler não apenas na detecção precoce, mas também na estratificação de risco baseada nas características das placas. Este estudo visa contribuir para a compreensão da estenose carotídea como marcador de risco cardiovascular global, fornecendo subsídios para estratégias preventivas e intervenções precoces em populações de alto risco. A identificação de lacunas no manejo clínico e diagnóstico poderá direcionar futuras pesquisas e aprimorar a prática clínica no contexto da aterosclerose e suas complicações.

Objetivos

OBJETIVO GERAL

Realizar uma revisão narrativa sobre a estenose carotídea assintomática e as placas ateroscleróticas, com ênfase nas suas respectivas prevalências e no uso de métodos diagnósticos, associando à existência de eventos cardiovasculares, como infarto agudo do miocárdio (IAM), acidente vascular cerebral (AVC) e mortalidade cardiovascular.

 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

I. Analisar a associação entre a presença de estenose carotídea assintomática e de placas ateroscleróticas com a ocorrência de IAM em populações com doença vascular documentada:

  • Identificar as características das placas ateroscleróticas nas artérias carótidas, como irregularidade da superfície e instabilidade, que possam atuar como preditores independentes de eventos isquêmicos miocárdicos.

  • Investigar a coexistência de doença arterial coronariana e estenose carotídea, avaliando se esta última pode ser considerada um marcador adicional de risco para IAM.

II. Entender a relação entre a presença de estenose carotídea e as placas ateroscleróticas com a ocorrência de AVC

  • Examinar a relação entre o grau de estenose carotídea assintomática e a ocorrência de AVC isquêmico, considerando achados ultrassonográficos, como velocidade de fluxo e características das placas;

  • Identificar fatores de maior risco para eventos embólicos cerebrais com base em características das placas carotídeas avaliadas por ultrassom Doppler;

  • Avaliar o papel da estenose carotídea como um marcador de risco para AVC em pacientes sem sintomas neurológicos prévios, destacando a relevância de sua detecção precoce.

III. Investigar a associação entre o grau de estenose carotídea assintomática e a mortalidade por causas cardiovasculares em populações de alto risco:

  • Analisar se características ultrassonográficas, como instabilidade de placas e gravidade da estenose, contribuem para aumentar o risco de morte cardiovascular.

  • Avaliar o impacto prognóstico da detecção de estenose carotídea assintomática na redução da mortalidade, considerando intervenções preventivas, como controle de fatores de risco e terapias medicamentosas.

Justificativa

A relevância de investigar estenose carotídea assintomática em homens com doença vascular documentada decorre do fato de que essa população apresenta uma maior carga de aterosclerose sistêmica e risco aumentado de complicações isquêmicas. Homens, em particular, têm maior predisposição à aterosclerose em comparação às mulheres, devido a fatores como maior exposição a hábitos de risco (tabagismo e sedentarismo) e menor proteção hormonal após os 50 anos (Mendelson & Karas, 2020). Assim, a análise de dados retrospectivos em períodos específicos, como 2010 a 2020, oferece uma oportunidade de explorar mudanças nos padrões diagnósticos e terapêuticos ao longo do tempo, assim como identificar lacunas na abordagem clínica de pacientes com alto risco cardiovascular.

Ademais, os avanços tecnológicos nos últimos anos permitiram uma melhora substancial na qualidade das imagens ultrassonográficas e na precisão diagnóstica desse método. Equipamentos modernos podem avaliar não apenas o grau de estenose, mas também medir parâmetros hemodinâmicos, como a velocidade do fluxo sanguíneo, e identificar áreas de turbulência associadas à obstrução significativa. Além disso, a introdução de softwares que analisam a elasticidade das artérias e a carga aterosclerótica tem ampliado o potencial do ultrassom como uma ferramenta multifuncional no manejo da aterosclerose (Hansen et al, 2019).

Equipe do Projeto

Nome Função no projeto Função no Grupo Tipo de Vínculo Titulação
Nível de Curso
GRAZIELA TORRES BLANCH
Email: grazielatb@gmail.com
Coordenador Líder [professor] [doutor]